Cultura do GRÁTIS: do online para o offline

Do sono mais profundo e dos sonhos mais distantes ecoa o sonoro “pi pi pi” da chateada função concebida ao relógio: o despertador. O barulho invade gratuitamente o silêncio do quarto todas as manhãs, quando ainda estou offline.  Esqueço a raiva momentânea do despertar e canalizo minha atenção para pensamentos mais otimistas. É momento de agradecer por mais um dia de vida grátis!

Acordo e vou direto preparar um lanche reforçado, pois logo em seguida surge, espontaneamente, a vontade de cuidar da minha saúde e do meu bem estar então lá vou eu pra academia. Todas as manhãs, quando estou distraído ou compenetrado num exercício, um outro aluno de uns 43 anos dá a todos um gratuito e cordial “Bom dia!”; respondo o cumprimento e continuo, logo em seguida,  com os meus exercícios. Já e hora de ir pra casa, tomar aquele banho e trabalhar.

Utilizo todos os dias um metrô e um ônibus para chegar à empresa. Hoje, umas 9:45h quando entrei no ônibus, um senhor de uns 60 anos ou mais, aparentemente um comerciante, estava a minha frente com uma mala de viagem pronto para passar na roleta. Para o azar dele, o cobrador não tinha troco para os R$ 20,00 que ele ofereceu para pagar a passagem. Ficou preocupado, pois iria descer não muito longe dali. Assistindo a situação, peguei meu bilhete único e encostei no leitor. Disse ao senhor que ele poderia passar sem problemas. Antes que aceitasse a gentileza, me perguntou como iria me pagar pelo bilhete. Disse a ele pra passar sem problemas. Ele passou. Passei logo em seguida. Me agradeceu pela atitude e me perguntou  mais uma vez como que ele poderia me pagar. Antes que eu respondesse, tirou moedas do bolso e começou a contar. Não tinha  muitas e somadas não passaria de R$ 1,00. Ainda preocupado em me pagar,  ofereceu a alternativa de descer  no mesmo ponto que eu para trocar o dinheiro que ele tinha. Outra vez  disse pra ele que não se incomodasse. O senhor insistiu, abriu a mala e começou a procurar moedas ou algum dinheiro que pudesse somar ao que ele já tinha nas mãos. “Senhor, fique tranquilo, tá tudo certo!” – disse a ele novamente que me olhou com o semblante de “tudo bem, então”. Já estava chegando próximo do ponto que ele iria descer e mais uma vez me agradeceu pela atitude. Fiquei feliz e ao mesmo tempo sem graça com algumas risadinhas de canto de boca de outros passageiros. Talvez o sentimento de honestidade do senhor falou mais alto, talvez não estivesse acostumado com atitudes grátis.

Saltei do ônibus e ao esperar na faixa de pedestre, vi dois garotos que estavam distribuindo, gratuitamente entre os carros, aqueles recentes jornais com o resumo das principais notícias do dia. Chegando mais próximo deles, uma mulher de uns 37 anos perguntou a um dos garotos se tinham um jornal pra dar a ela. Andei mais devagar afim de escutar o diálogo. O garoto disse que não tinha mais nenhum. A mulher ficou chateada e saiu “p” da vida xingando, pois já se acostumou com aquela fonte de informações grátis todos os dias pela manhã.

Chego na empresa, sento em minha cadeira e logo ligo meu computador. Preciso ficar por dentro das notícias e dos acontecimentos,  pois também não consegui pegar aquele jornalzinho matinal.  Tenho ainda uma saída. O computador inicializa e se conecta. Estou online e tudo que eu preciso está ali, grátis!

Anúncios

Tags: , , , , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: